O Dia de Ano Novo
Thomas Hally
No Dia de Ano Novo fui a um restaurante local com minha bela senhora.
Veio para jantar conosco minha linda e simpática cunhada.
Conosco estavam minha encantadora sobrinha e seu namorado, convidados à festa.
Todos famintos, sentamos à mesa decorada e vazia desde a última quinta-feira.
Nossa pequena familia comeu tudo um gordíssimo pernil cozido habilmente.
Eu me empanturrei com bacalhau temperado com alecrim coberto com molho picante.
Festejamos, pedindo uma travessa de um suculento pato: nosso segundo prato.
Um dourado peru no forno se despertou e saiu dalí, coxeando dificilmente.
O garçom desnorteado trouxe um bolo de chocolate e rápidamente eu o dividi.
Dos seis pedaços do bolo de chocolate; quatro deles eu felizmente comi.
No final do banquete examinei a minha cintura e neste instante eu cresci.
De madrugada, chegamos em casa e tive um pensamento que eu distorci.
Perto do meu computador—surpreendido por um lance de gênio—a luz acendi!
Decidi escrever um poema de amor, mas de repente o próprio diabo vi.
Cansado e digitando depressa, caí num caldeirão profundo de xixi.
Disse-me uma alma perdida que Lucífer me condenou; naquele momento sofri.
Abri uma exceção nas regras e rezei para estar um dia com minha mulher no paraiso.
Logo me chamou a atenção uma belíssima mulher vestida num transparente manto.
Quem estava atrás daquele rosto e traseiro bonitos, por atrás do veu que mostrava tudo?
Nos amamos como adolescentes, mas ao romper da aurora ela já tinha ido.
Por fim eu acordei, reconhecendo a cara encantadora da minha bela senhora.
Disse-me que ainda era um mero mortal de carne, sangue e osso: o de sempre.
Eu sentia uma maldita sede, então lhe pedi meu uísque com abacaxí.
Brindei com ela, decidindo começar este Ano Novo feliz e bêbado.